Nota da UGEIRM/Sindicato sobre o “chamado” para conversa com o candidato Ivo Sartori/MDB

A direção da UGEIRM recebeu, através das redes sociais, uma “convocação” do atual governador e candidato à reeleição, José Ivo Sartori, para uma conversa com os servidores da segurança pública. Tal chamado se dá ao mesmo tempo em que o governo retém, ilegalmente, a contribuição dos servidores fazem às entidades sindicais.

Logo depois de confirmadas as candidaturas para o governo do estado, a UGEIRM encaminhou a todos os candidatos um convite para comparecer à sede do sindicato e apresentar suas propostas às eleições de outubro. A assessoria da candidatura do atual governador respondeu, dizendo que não compareceria a nenhum debate de entidades corporativas e priorizaria os debates nos meios de comunicação. O que demonstrava que o diálogo com os servidores da segurança pública não era de seu interesse nessas eleições. Tal resposta foi recebida com naturalidade pelos policiais civis, pois seguiam a lógica adotada durante todo o governo Sartori/MDB e repetia a posição tomada nas eleições de 2014, quando o governador também se negou ao diálogo com os servidores da segurança pública.

Policial foi atingida por bala de borracha durante votação do Pacote do governo na Assembleia

Durante os quatro anos de mandato do governo Sartori/MDB, a UGEIRM se colocou permanentemente à disposição do diálogo com o governo, com a finalidade de encontrar soluções para os graves problemas da segurança pública gaúcha. Em todos esses momentos, fomos solenemente ignorados pelo governador do estado. Quando da apresentação dos seus projetos na Assembleia Legislativa, o único “diálogo” apresentado, foram as bombas de gás lacrimogênio e as balas de borracha que nos impediram de ingressar nas galerias para acompanhar as votações. Em nenhum projeto apresentado, que diziam respeito aos servidores públicos, houve sequer uma consulta às entidades sindicais. Quando os policiais convocaram uma paralisação de denúncia da situação calamitosa da segurança pública no estado, a resposta do governo foi um vídeo, divulgado nas redes sociais, onde acusava os sindicatos de irresponsáveis com a população gaúcha.

Nesses lamentáveis quatro anos de governo, os policiais receberam seus salários religiosamente em atraso. A decisão de atrasar os salários foi tomada sem nenhum diálogo com as entidades. Desde o seu primeiro ano de mandato, o governo instaurou o caos nas carceragens das delegacias, com presos superlotando as celas e algemados em corredores ou detidos em viaturas estacionadas nas calçadas, colocando a vida dos policiais em risco. A UGEIRM, em conjunto com a OAB, convocou todos os setores da sociedade civil, incluindo o Legislativo, o Judiciário e o Executivo, na busca de soluções para o problema. Novamente, o governo ignorou o chamado das entidades ao diálogo e preferiu anunciar soluções esdrúxulas, como a inauguração de um ônibus cela para desafogar as carceragens. Precisamos ir ao Uruguai para dialogar com a OEA (Organização dos Estados Americanos) que, ao contrário do governo Sartori/MDB, nos recebeu prontamente. A nossa tabela de subsídios foi duramente atacada pelo governo e a sua bancada, quando da discussão da Lei estadual de Responsabilidade Fiscal na assembleia Legislativa. Na ocasião, os deputados da base governista acusaram os servidores da segurança pública de responsáveis pela crise financeira do estado. Um desses parlamentares chegou a dizer que a opinião dos servidores não interessava, pois servidor público não elege ninguém.

Portanto, a direção da UGEIRM avalia que tal convocação por parte do candidato à reeleição, José Ivo Sartori, não oferece qualquer benefício para a categoria e a população gaúcha. Se o governador quiser conhecer as propostas dos policiais civis para a segurança pública do estado, a UGEIRM não terá nenhum problema em enviar nosso Programa elaborado em conjunto com o Conselho de Representantes da entidade. Caso o governador consiga sua tão sonhada reeleição, a entidade estará, como sempre esteve, à disposição para o debate institucional com o novo governo.

Por outro lado, se o governador quiser, como ocupante atual do Palácio Piratini, discutir com o sindicato a situação da segurança pública, o atraso dos salários, a situação das carceragens, ou qualquer outro tema que diga respeito à categoria, estaremos à disposição. Mas não participaremos de atos de campanha do atual governador. Qualquer reunião com o governador será realizada nas dependências do Palácio Piratini, durante o horário de expediente e terá que constar da agenda do governador. Esse diálogo com o governo vem sendo buscado incessantemente pela UGEIRM. Nos últimos seis meses, a direção vem, diariamente, reiterando um pedido de audiência com o Chefe da Casa Civil que nos ignora solenemente.

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